Casa-Laboratório E. M. Melo e Castro

 

Localização

O terreno da intervenção localiza-se na zona mais antiga do Porto. O Porto tem origem na Pena Ventosa por uma questão estratégica, do ponto de vista defensivo e pelas boas condições para a fixação humana.

Ernesto de Melo e Castro é um cliente “real”, concreto, que poderá acompanhar o projecto. É alguém com exigências reais e cujo estilo de vida deve estar reflectido na sua habitação. A forma como o cliente “desmonta” as palavras, criando várias sílabas, agrupando-as de outras formas e conferindo- lhes diferentes significados foi uma vertente que influenciou a fase inicial do trabalho, partindo para uma solução que repartia a casa por vários volumes.

Conceito
Ernesto Melo e  Castro

Mais do que responder a um programa de habitação havia neste caso também que solucionar uma composição e remate de espaço público. Podemos entender este espaço como tendo duas realidades diferentes e quase opostas: de um lado uma forte vertente turística e publica que se relaciona com a Sé, com o Largo da Sé e com a Casa dos 24, e, por outro lado uma relação com uma zona habitacional, com uma rua estreita, mais intimista.

Então assim podemos pensar neste edifício como um todo, dividido em dois núcleos, um público com contributo para a cidade relacionado com o espaço público e com um diálogo directo com a área mais movimentada da zona de intervenção. Por outro lado temos um núcleo mais íntimo, voltado para uma zona residencial, a Rua de São Sebastião, mais calma que é o núcleo da habitação.

Os dois volumes da habitação dividem-se também em volume íntimo (onde estão os quartos) e volume público (onde acontecem os espaços de convivência). Numa busca pela privacidade, a habitação fecha-se em si mesma, abrindo-se para pátios interiores.

Processo
Estudo da Implantação
Processo2
Percursos entre os volumes – subterrâneos
Corte1
Corte pelos 3 volumes – dois da habitação e um do espaço de trabalho e exposição
Planta RC
Planta do rés-do-chão
Planta1
Planta do 1º piso

 

Planta2
Planta do 2º piso
Planta3
Planta 3º piso
Alçado1
Alçado – Relação com a Sé do Porto e a Torre dos 24
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Residência de Estudantes

Desde o inicio sempre houve a intenção de criar uma praça digna, mas mais do que isso sempre houve a necessidade de organizar o espaço, principalmente o espaço vazio, fazendo-o sobressair. Nas primeiras impressões essa praça seria á cota do muro dos bacalhoeiros, mas acabou por se situar á mais baixa.

O vazio iria servir como negativo dos volumes preenchidos pelo Paço Episcopal entre outros edifícios de importância notável em todo o Morro da Sé. Também desde o início houve a intenção de privilegiar as vistas sobre o Rio Douro, beneficiando da sua orientação Solar.

A implantação dos edifícios teve em conta a mancha do aglomerado urbano existente, sendo esta uma marca de tempos passados, havia que marcar esta intervenção presente com edifícios que definissem uma geometria regular e que organizassem o local. Além dos espaços cheios, também há que ter em conta para os espaços vazios, os exemplos que acontecem nas proximidades, como sendo a Praça da Ribeira e o Largo do Terreirinho servem de referência para esta nova intervenção.

O local tem características muito fortes como sendo o Muro dos Bacalhoeiros, o Paço Episcopal, a Ponte D. Luís I, e toda uma sucessão de socalcos que criam um interessante jogo de planos.

Na implantação escolhida temos um edifício maior que será o edifico que acolhe em si os quartos individuais em grande número, alem deste edifício temos três edifícios maiores que marcam uma excepção. São edifícios que marcam a frente urbana de toda a intervenção, alinhando com a restante frente ribeirinha. As aberturas destes edifícios tiveram em conta os ritmos dos arcos do Muro dos Bacalhoeiros. Um dos edifícios é mais recuado em relação aos outros dois buscando assim uma maior harmonia com os edifícios contínuos.

No piso inferior, o piso -1, encontramos as zonas de serviço mais públicas, como a lavandaria, a cantina, uma sala polivalente, sala de jogos, loja de conveniência com produtos de primeira necessidade. Neste piso temos também o espaço reservado á administração desta entidade com secretaria, tesouraria e sala de direcção.

Voltado para a Praça e tirando partido das vistas sobre o Rio Douro temos um Café-Leitura com dois pisos que mantém uma relação directa com a praça e com a Rua do Muro dos Bacalhoeiros, uma vez que estas são as zonas mais movimentadas desta zona. Este café poderá não só ser usado pelos estudantes como também ser usado pelos turistas que diariamente visitam a Ribeira do Porto.

Ao nível do Piso 0 que se encontra á cota 9.83, temos no edifício maior a distribuição dos quartos, assim como uma sala de convívio para uso de todos os estudantes e que é comum a todos os pisos. Nos restantes edifícios além do Café-Leitura, temos também salas de estudo e de informática.

Nos restantes pisos temos as situações de quartos e apartamentos Tipo1. Os edifícios mais pequenos da frente da intervenção têm mais um piso que o edifício maior, para fazer uma maior distinção da sua importância em termos de remate.

Os quartos individuais têm um WC, quarto com zona de estudo, sempre iluminado naturalmente. Alem disto tem também 3 módulos de cozinha onde podem preparar refeições ligeiras sem que para isso tenham que sair do quarto. O quarto pode ser partilhado, pois há espaço para ter mais uma cama.

Quanto aos apartamentos estes estão divididos um por piso e organizados da seguinte forma, o acesso é feito para uma zona de estar, que tem também compartimento para zona de preparação e consumo de alimentos. Estas zonas são voltadas a Sul e com uma varanda. Tem um WC e um quarto também este com zona de estudo voltada para a praça e com varanda voltada a norte. Também este quarto permite ser partilhado, com 2 camas ou uma de casal.

Toda esta intervenção não ficaria completa sem o arranjo dos jardins abandonados nos socalcos. Estes fantásticos jardins privilegiam as vistas sobre o Rio Douro e Vila Nova de Gaia. Estão divididos em vários patamares interligados por escadas de granito. Neste caso a intervenção foi no sentido de criar um percurso dinâmico pelos jardins tentando fazer o mínimo de modificações no pré-existente e tentando não criar espaços segregadores e mortos sem percursos de passagem. Há também pontualmente algum mobiliário urbano e algumas zonas foram naturalizadas com a presença de relva e árvores para providenciar alguns espaços de sombra. O socalco á cota 12.30 é mais vivenciado devido á sua proximidade com o edifício principal. É também este que contem mais mobiliário urbano com mesas e bancos, não só para estudar mas também para fazerem refeições.

Esta intervenção foi toda no sentido de dar mais qualidade ao edificado da Ribeira do Porto, criando situações que a dinamizem e deixando que a sua beleza natural influenciasse todo o percurso do trabalho.

Palácio das Artes

O Edifício Douro tem uma carga histórica muito marcada. Ele foi fundamental na fundação da cidade, uma vez que outrora foi um convento Dominicano. O Largo de São Domingos marcou também uma importante zona comercial da cidade, sendo que era neste local que se faziam antigamente as feiras francas.

Além de outras funções o edifício foi também filial do Banco de Portugal, entes deste se mudar para um edifício de raiz construído na Avenida dos Aliados. Foi também sede da Companhia de Seguros Douro. O Edifício Douro encontra-se inserido no casco histórico da cidade do Porto e numa densa malha urbana.

Largo1

O desafio deste primeiro projecto era transformar o Edifício Douro, agora “adormecido” numa continuação da ESAP e dar vida a este marco histórico da cidade. Este edifício iria reunir em si as funções mais nobres da escola reservando para esse efeito espaços de conferências, exposições e investigação. Aqui seria criada a escola de ideias da ESAP.

O objectivo determinado neste exercício passou por fazer uma intervenção que não alterasse muito daquilo que pensamos ser do edifício original, antes de ser ultrajado na sua última função. Restituir-lhe alguma dignidade sem destruir a sua beleza e imponência originais.

O piso -1 é destinado a arrumações, é uma zona de armazenamento de apoio ao apoio ao bar/restaurante, uma vez que as escadas e elevador acedem directamente á cozinha e áreas de serviço. É também o local onde se fazem as cargas e descargas. O acesso a este piso é exclusivo dos funcionários.

O piso 0 é o piso mais permeável de todo o edifício. Aqui qualquer pessoa pode entrar. Quer sejam utentes do edifício, quer sejam transeuntes que passem na rua, podem sempre entrar para ver a exposição na galeria, ou então almoçar no restaurante. Na zona da galeria uma escada já existente liga a uma cota superior onde tem uma continuação dessa mesma área. Dessa área superior de galeria tem-se uma vista agradável das abóbadas do edifício, assim como das áreas inferiores através das áreas de pé-direito duplo. Destes espaços é possível também aceder ao patamar da escadaria principal que liga ao piso nobre.

O piso 1, no lado esquerdo, é o piso destinado ao trabalho de investigação. É aqui que se encontram os gabinetes e salas de trabalho para os utentes do edifício. Deste piso há também uma ligação directa á escadaria principal para depois aceder ao piso nobre.

O piso 2 é o piso nobre do edifício quer pela sua ornamentação, pelas escadas monumentais que encaminham a este piso e também a expressão que este tem na fachada. É neste piso que encontramos o auditório com capacidade 66 espectadores e a sala de actos com capacidade para 22 espectadores. É neste piso também que encontramos a sala de reuniões e a biblioteca.

 

Requalificação do Largo de São Domingos

Trabalho académico realizado no 4º ano do Mestrado Integrado de Arquitectura, no ano lectivo de 2007/08. Este trabalho foi orientado pela Arquitecta Matilde Pessanha e pretendia-se uma requalificação do Largo de São Domingos, no Porto.

O Largo de São Domingos é um espaço muito irregular. A sua forma irregular parece criar vários sub espaços, esquartejando o espaço, podemos encontrar nele alguns centros importantes e que devem ser marcados como por exemplo, a entrada da ESAP e também a Igreja da Misericórdia.

A enorme quantidade de planos e pontos a assinalar tornam difícil a tarefa de encontrar uma geometria geradora e linhas de força.

Assim sendo, é marcada a entrada do Edifício Douro e também a entrada da Igreja da Misericórdia, uma vez que o edifício da ESAP pela posição que tem no largo de São Domingos, uma posição central e também por ser o edifício mais alto do largo, já por si afirma a sua presença.

Na procura e pesquisa de um padrão que se adequasse e que vestisse o largo, é encontrada uma imagem de uma calçada cuja geometria interessante, podia no entanto ser mais trabalhada. Procurou-se o equilíbrio entre o preto e branco, para que tivessem o mesmo peso visualmente, procurou-se também que fosse mais simples, por isso foi eliminado o quadrado preto e procurou-se que se apropriasse para uma escala maior. Esse padrão marca uma direcção, é perpendicular ao Edifício Douro o que lhe confere mais importância, pois todas as linhas de força se dirigem para ele. Esta direcção é rematada nas outras fachadas, que não ficam ortogonais com uma guia que contorna a implantação das casas.

O motivo da calçada é continuado pelos passeios e em alguns casos tem que ser feitos movimentos de rotação para que a geometria da calçada se adeqúe á geometria do local.

O material usado é o cubo de calcário branco e preto.

Em alguns locais estratégicos são colocados bancos para propiciar momentos de repouso e descanso, e também para controlar cotas do pavimento.

Em frente ao Edifício Douro é feita uma plataforma de nível para que seja possível usá-la como esplanada do Bar/Restaurante do Edifício Douro.

A entrada do Edifício Douro é marcada por uma fonte quadrada que pode ser usada também como banco. E a entrada da Igreja da Misericórdia é também assinalada com uma marca diferente no pavimento, subtil, e que dirige toda a atenção para a imponência e sumptuosidade da Igreja da Misericórdia.

Este largo caracteriza-se por uma forma irregular, que cria uma subdivisão do espaço, e uma ocupação excessiva pelo automóvel. Devido à sua forma, encontrar linhas de força orientadoras da geometria do espaço foi uma tarefa difícil!

Largo2

Os dois edifícios mais significativos do Largo de São Domingos devem ser enaltecidos e acentuados com marcas no pavimento, pontuando a sua entrada.

Largo3

O padrão escolhido para colocar na calçada revela um bom equilíbrio entre o preto e o branco, é simples e adequa-se a um espaço de grande escala.

Largo5

Este padrão marca uma direcção, dirige o percurso num determinado sentido e ao ser colocado na direcção do Edifício Douro confere a este uma maior importância.

LargoPlanta

Pormenor

Nas imediações do Largo o padrão continuaria, repetindo o mesmo módulo mas numa escala mais pequena e usando uma moldura, que soluciona os remates em zonas mais complicadas.

Foto mudada

Foto mudada2