Residência de Estudantes

Desde o inicio sempre houve a intenção de criar uma praça digna, mas mais do que isso sempre houve a necessidade de organizar o espaço, principalmente o espaço vazio, fazendo-o sobressair. Nas primeiras impressões essa praça seria á cota do muro dos bacalhoeiros, mas acabou por se situar á mais baixa.

O vazio iria servir como negativo dos volumes preenchidos pelo Paço Episcopal entre outros edifícios de importância notável em todo o Morro da Sé. Também desde o início houve a intenção de privilegiar as vistas sobre o Rio Douro, beneficiando da sua orientação Solar.

A implantação dos edifícios teve em conta a mancha do aglomerado urbano existente, sendo esta uma marca de tempos passados, havia que marcar esta intervenção presente com edifícios que definissem uma geometria regular e que organizassem o local. Além dos espaços cheios, também há que ter em conta para os espaços vazios, os exemplos que acontecem nas proximidades, como sendo a Praça da Ribeira e o Largo do Terreirinho servem de referência para esta nova intervenção.

O local tem características muito fortes como sendo o Muro dos Bacalhoeiros, o Paço Episcopal, a Ponte D. Luís I, e toda uma sucessão de socalcos que criam um interessante jogo de planos.

Na implantação escolhida temos um edifício maior que será o edifico que acolhe em si os quartos individuais em grande número, alem deste edifício temos três edifícios maiores que marcam uma excepção. São edifícios que marcam a frente urbana de toda a intervenção, alinhando com a restante frente ribeirinha. As aberturas destes edifícios tiveram em conta os ritmos dos arcos do Muro dos Bacalhoeiros. Um dos edifícios é mais recuado em relação aos outros dois buscando assim uma maior harmonia com os edifícios contínuos.

No piso inferior, o piso -1, encontramos as zonas de serviço mais públicas, como a lavandaria, a cantina, uma sala polivalente, sala de jogos, loja de conveniência com produtos de primeira necessidade. Neste piso temos também o espaço reservado á administração desta entidade com secretaria, tesouraria e sala de direcção.

Voltado para a Praça e tirando partido das vistas sobre o Rio Douro temos um Café-Leitura com dois pisos que mantém uma relação directa com a praça e com a Rua do Muro dos Bacalhoeiros, uma vez que estas são as zonas mais movimentadas desta zona. Este café poderá não só ser usado pelos estudantes como também ser usado pelos turistas que diariamente visitam a Ribeira do Porto.

Ao nível do Piso 0 que se encontra á cota 9.83, temos no edifício maior a distribuição dos quartos, assim como uma sala de convívio para uso de todos os estudantes e que é comum a todos os pisos. Nos restantes edifícios além do Café-Leitura, temos também salas de estudo e de informática.

Nos restantes pisos temos as situações de quartos e apartamentos Tipo1. Os edifícios mais pequenos da frente da intervenção têm mais um piso que o edifício maior, para fazer uma maior distinção da sua importância em termos de remate.

Os quartos individuais têm um WC, quarto com zona de estudo, sempre iluminado naturalmente. Alem disto tem também 3 módulos de cozinha onde podem preparar refeições ligeiras sem que para isso tenham que sair do quarto. O quarto pode ser partilhado, pois há espaço para ter mais uma cama.

Quanto aos apartamentos estes estão divididos um por piso e organizados da seguinte forma, o acesso é feito para uma zona de estar, que tem também compartimento para zona de preparação e consumo de alimentos. Estas zonas são voltadas a Sul e com uma varanda. Tem um WC e um quarto também este com zona de estudo voltada para a praça e com varanda voltada a norte. Também este quarto permite ser partilhado, com 2 camas ou uma de casal.

Toda esta intervenção não ficaria completa sem o arranjo dos jardins abandonados nos socalcos. Estes fantásticos jardins privilegiam as vistas sobre o Rio Douro e Vila Nova de Gaia. Estão divididos em vários patamares interligados por escadas de granito. Neste caso a intervenção foi no sentido de criar um percurso dinâmico pelos jardins tentando fazer o mínimo de modificações no pré-existente e tentando não criar espaços segregadores e mortos sem percursos de passagem. Há também pontualmente algum mobiliário urbano e algumas zonas foram naturalizadas com a presença de relva e árvores para providenciar alguns espaços de sombra. O socalco á cota 12.30 é mais vivenciado devido á sua proximidade com o edifício principal. É também este que contem mais mobiliário urbano com mesas e bancos, não só para estudar mas também para fazerem refeições.

Esta intervenção foi toda no sentido de dar mais qualidade ao edificado da Ribeira do Porto, criando situações que a dinamizem e deixando que a sua beleza natural influenciasse todo o percurso do trabalho.

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